Desde cedo, na era dos descobrimentos, circularam e interagiram, de um reino para outro, os conhecimentos europeus, particularmente sobre navegação e cartografia, apesar de uma política portuguesa muito preocupada em controlar seu império. Essas trocas e essa porosidade vão sofrer uma nova virada a partir de 1808, sob o duplo impulso das reorganizações políticas e nacionais, de um lado, e de outro, da reestruturação do conhecimento.

A nova nação brasileira atraiu talentos diversos, engenheiros, arquitetos (Grandjean de Montigny, Vauthier...), paisagistas (Glaziou), incitados à viagem por aspirações utópicas, considerações políticas, pela busca de uma situação ou ainda pelas incitações do monarca esclarecido Dom Pedro II, apaixonado por novos saberes. O imperador apoia Gorceix que dirige a Escola de Minas, fundada em Ouro Preto, ao mesmo tempo que subvenciona estadias de brasileiros na Europa, para que aprofundem sua formação. Várias cidades, como Rio de Janeiro ou Belo Horizonte, inspiram-se das transformações urbanas parisienses para redesenhar seus espaços públicos, e a moda francesa dá o tom entre as elites.

O Brasil é também o berço de inventores geniais como Hercule Florence (1804-1879) para a fotografia ou, no século XX, Alberto Santos Dumont (1873-1932). No pós-guerra, o país continua a se valer do savoir-faire francês, particularmente no campo da fotografia de reportagem. Jean Manzon e Marcel Gautherot desempenham um papel importante na revista O Cruzeiro, com a qual colabora também Pierre Verger. Mas este último, ligado a Roger Bastide (o sucessor de Claude Lévi-Strauss na Universidade de São Paulo no período 1938-1954), se converte às culturas afro-brasileiras e se inicia no candomblé, campos nos quais produz importante obra etnográfica.