Era então inevitável que a centralidade simbólica de algumas capitais europeias, Paris em particular, levasse inúmeros intelectuais brasileiros a se apossar dos modelos em voga, mesmo que fosse por simples necessidade de reconhecimento. Seria contudo equivocado ver aí um simples processo de imitação, tanto as interações e inovações são mais sutis e complexas do que parecem. Que se trate da chamada geração romântica, na verdade bastante heterogênea, dos “parnasianos”, dos “simbolistas” ou dos “naturalistas”, por trás das semelhanças das etiquetas opera-se uma triagem seletiva e muitas reapropriações, em função das estratégias políticas e culturais locais. Nas cenas teatrais ou na imprensa, nas revistas e até mesmo em matéria de estruturação editorial (o caso Garnier, por exemplo), nenhum domínio escapa ao jogo de ecos e de transferências, de ressemantizações cruzadas, com relação a tudo o que vem da França, suscitando ora simpatias galófilas, ora reações galófobas.

No sentido inverso, o Brasil será fonte de curiosidades e de elaborações imaginárias, como provam uma produção literária muitas vezes menor, às vezes dirigida à juventude, ou sinais de interesse esporádico, como os que manifesta Victor Hugo, onipresente nas letras brasileiras de então. Entre as grandes figuras de “passadores” do século XIX, Ferdinand Denis desempenhou um papel central após sua estada de três anos no Rio de Janeiro e em Salvador (1816-1819), sobretudo por ter vivido até 1890 e ter, a partir de 1838, galgado os escalões da Biblioteca Sainte-Geneviève até tornar-se, em 1865, seu administrador.

Na primeira metade do século XX, as contribuições mais fecundas se articularão em torno do movimento modernista brasileiro dos anos 1920, com as viagens de Blaise Cendrars e de Benjamin Péret (ou mesmo as de Claudel e de Milhaud); enquanto o período da Segunda guerra mundial será, por sua vez, pontuado pela expressão de simpatias pela França e pela estadia de Georges Bernanos, que tecerá laços com os meios intelectuais católicos.