PIONEIRAS

As fontes escritas pela mão de mulheres na época colonial são raras. Porém, muitas são as referências às mulheres travestidas a bordo dos navios, cuja imagem romanceada será a da aventureira espanhola Catalina de Erauso, e a científica, a da francesa Jeanne Baret, primeira mulher a ter realizado uma volta ao mundo. Muitos são os dramas vividos por senhoras em naufrágios, muitas as machonas se sobressaindo por ocasião de ataques. Sem esquecer aquelas órfãs enviadas para povoar as terras, as mulheres relegadas ao além-mar. Fragmentos biográficos e textuais que exigem um trabalho de arquivo, pois é a exumação de documentos que vai permitir a restituição de percursos como o da contrabandista Jeanne d’Entremeuse, no Brasil do século XVIII.

No domínio do impresso, a mulher é uma amazona, sedutora e temível, ou uma infeliz náufraga em terras hostis, como Isabel Godin des Odonais. Ela pode ter a aparência de uma ameríndia abandonada por um marinheiro ou de uma filha de cacique que conhece o prazer da travessia até Paris. Como Paraguaçu, muito cedo instruída por letrados, que irrompe na cena romântica graças a Monglave ou a obras didáticas menores: Fanny Mongelaz (1828) consagra um curto capítulo às brasileiras retornando àquela figura e utilizando o relato de contemporâneos. Este imaginário extravagante não cessa de abastecer os romances de aventura.

MULHERES DE…?

Jemina Kindersley é sem dúvida a primeira mulher a ter deixado um relato referente ao Brasil. Acompanhando o esposo, oficial de carreira, em uma viagem a Bengala, ela envia a um amigo cartas que serão publicadas em 1777. Seis missivas descrevem a escala em Salvador da Bahia, com considerações sobre a sociedade colonial sob o ponto de vista de uma cultura protestante. Apoiando-se em clássicos, textos das Luzes e de viajantes da época, Mrs Kindersley é também atenta ao seu tempo e denuncia os malefícios da escravidão.

Rose de Freycinet embarca clandestinamente a bordo da corveta l’Uranie, comandada por seu esposo, encarregado de uma missão de exploração do mundo em 1807. Seu testemunho, notas e cartas à irmã e a uma prima, apenas vai ser organizado e publicado em 1927. Tendo viajado com o intuito de “ver novas terras”, a narradora não fala muito da expedição, e seu olho de pessoa elegante descreve as roupas, a comida, a vida mundana por ocasião das escalas. O relato, por sua espontaneidade, contrasta com os outros textos da travessia. Em seu diário, Jacques Arago, desenhador da expedição, não cansa de fazer elogios ao caráter de exceção da viajante. A escala no Rio percorre o cotidiano da colônia: as homenagens prestadas ao rei, os passeios, as damas que confundem a riqueza ostensiva em suas vestimentas com bom gosto, o jardim botânico. O casal habitou a casa de Taunay, e Rose de Freycinet deixa um retrato a cargo do cônsul da França. O relato não renuncia ao orgulho da ocidental que vê naquele belo país coisas “semelhantes às que nos descreveu nosso amável Chateaubriand em Atala”. Enfim, são evocadas várias visitas à casa do cônsul da Rússia, inclusive o caráter de sua esposa, boa instrumentista e falando francês. Esta Baronesa Émile de Langsdorff, que acompanha seu esposo em uma missão oficial, deixou, por sua vez, um diário, publicado bem mais tarde e repleto de detalhes a respeito do périplo marítimo, das hierarquias sociais, da intimidade com a família real e considerações então comuns sobre a escravidão como elemento civilizador.

Maria Graham dá conta em seu diário de 1821 a 1823, obra então publicada em inglês, de sua intimidade com o casal imperial. Intelectual, preocupada com o lugar das mulheres na sociedade, ela é uma observadora atenta às mudanças do seu tempo. Suas considerações sobre as paisagens e suas coletas de plantas são reconhecidas.

Em um registro bastante diferente, um opúsculo foi publicado em Évreux em 1872. A jovem Virginie Léontine B. acompanhou seus pais em uma viagem entre 1857 e 1858. Este relato é seguido de outros curtos textos, entre os quais « uma carta inédita endereçada a uma brasileira a respeito da exposição universal de 1867 ». Quatro missivas são enviadas desde o Rio de Janeiro a um círculo de amigos. A primeira descreve a travessia a partir do porto de Havre até a chegada, a bordo da « barca de Caron ». Admira-se o espetáculo do mar, o nascer e o pôr do sol, as tonalidades luminosas, os rituais marítimos e a vista da capital. O desembarque é descrito em detalhes, assim como a aduana, a acolhida das autoridades francesas e a instalação. É louvado também o Sr. Taunay, que é a « providência nesta terra estrangeira » e torna-se o gentil cicerone da família. A jovem se encanta diante da novidade, traduzindo aquele mundo de sonoridades novas mas sem deixar de apontar os aspectos que o fazem o inverso do paraíso. A terceira carta resume a estadia de dez meses e é muito mais rica em detalhes. É uma carta de matiz turístico que chama a atenção também pela candura e pela atenção dedicada aos pequenos acontecimentos. Este aspecto é também visível na última carta consagrada a duas excursões a fazendas a convite de conhecidos da família. Um quadro das elites é esboçado apesar das dificuldades de compreensão. Após considerações clássicas e bem pensantes sobre a vida dos negros… eis que a família está já a ponto de ir embora, e não sem antes levar algumas plumas para exibir em Paris, além das doces confeitarias. Ficção, ou reescrita de cartas – Virginie Léontine é talvez a jovem nascida Pétrissard, em Évreux, no ano de 1852, que esposa um tal seu Boquin em 1872 –, este relato é tão raro quanto mal conhecido. Publicado no ano do casamento, é um rito de passagem e se inscreve em possíveis remanescências ou impulsões da “peregrinatio academica”, que falta ainda aprofundar.

À sombra, mas mais conhecidas, são as mulheres de científicos cujas vidas foram objeto de estudos documentados. O Voyage au Brésil, de Louis Agassiz, cuja redação é assinada em conjunto com sua esposa Élisabeth, publicado em ingês, é traduzido para o francês em 1869. Sua mulher teve sua correspondência publicada, traduzida e editada ainda após a sua morte. Élisabeth Burton foi, por sua vez, apresentada como uma esposa perfeitamente alheia aos interesses do estudioso seu marido, o célebre Richard Burton. Este viveu no Brasil um « período negro da sua vida » entre 1865 e 1867, como cônsul da França em Santos e São Paulo. O episódio brasileiro da vida deste extraordinário viajante continua até hoje pouco claro porque Lady Elisabeth, que detestou o país, queimou todos os documentos de seu esposo após a sua morte.

SINGULARES

Primeira grande exploradora, a vienense Ida Pfeiffer passou quinze anos viajando pelo mundo. Já era madura ao partir, e encontrou na publicação de suas viagens, em trechos escolhidos para periódicos, uma forma de financiar sua sede de descobertas. Em 1846 ela está no Rio, descobre o sublime da natureza e denuncia a escravidão, achando ao mesmo tempo a condição daqueles infelizes mais privilegiada do que a de alguns proletários da Europa. Intelectual e científica, ela é, como muitos outros, pródiga em conselhos a seus compatriotas vindos em busca de fortuna.

Uma fortuna que não faltava a Marianne North, peregrinando para sacrificar a sua vocação. Pintora e botanista, ela viveu oito meses no Brasil em 1875 e deixou uma centena de pinturas ilustrando a variedade da flora.

Outra artista embarca para o Brasil em 1849/1850: Adèle Toussaint. Seu relato publicado em 1883 foi imediatamente transcrito em português com notas severas do tradutor. Apesar da reprovação despertada por uma obra acusada de maltratar a imagem do país, a autora deixa um relato apaixonante e ilustrado com fotografias. Oriunda do meio artístico, a viajante acompanha seu marido, um francês nascido no Brasil e que se instala no Rio como professor de dança; ela própria ministra aulas na qualidade de professora de francês e de italiano. Uma longa estadia permite um conhecimento aprofundado de um país do qual ela frequenta ao mesmo tempo a elite e as classes médias. Ela é mais propensa a pintar os comportamentos e os seres e esboça numerosas cenas do cotidiano das mulheres. Denunciando a escravidão, descreve as vendas, a separação de casais, os golpes e a máscara de ferro. Suas observações são mais afinadas sobre a condição feminina. A intelectual, que exibe um certo desprezo em relação aos novos-ricos franceses do Rio, se interessa mais às modalidades da língua, às letras brasileiras. Assim, ela põe em apêndice uma tradução de Gonçalves Dias, o poema « O escravo » de Fagundes Varela, e diz ter traduzido uma obra de Alencar. De volta a Paris, nostálgica do Brasil, edita um volume de poemas dos quais uma composição pinta uma cena brasileira: a prece dos escravos.

Adèle tinha ido « fazer a América », expressão retomada por Sarah Bernard em sua autobiografia que retraça as turnês na América Latina entre 1880 e 1913. A turnê brasileira é coroada pela exclamação de Joaquim Nabuco: « todo homem tem dois países : o seu e a França ». Esta acolhida tão entusiasmada não deixará de suscitar a ironia de espíritos divertidos com esta « vassalagem », a exemplo do cosmopolita Eça de Queirós, cujas crônicas apimentam os jornais brasileiros.

FAZER A AMÉRICA

Se Sarah Bernard é célebre e Adèle Toussaint redescoberta, muitas mulheres que viajaram por razões econômicas estão confinadas no anonimato ou não tiveram sua obra reeditada. São itinerários típicos e que têm todos certamente, em sua individualidade, alguma coisa de atípica. Assim é com Maria Josephina Mathilde Durocher (1809-1893), que em 1834 torna-se a primeira parteira diplomada do país e que exerce durante cinquenta anos no Rio de Janeiro antes de ser a única mulher eleita para a Academia de Medicina. Em escritos científicos, publicados em 1870 e 1871 acerca dos debates sobre o parto, ela insere breves notas biográficas a respeito de sua chegada ao Brasil: veio em 1819 com a mãe, que se instalou como « comerciante de modas ». Na época, muitos anúncios de modistas, professoras primárias, costureiras e outras pequenas ocupações aparecem na imprensa, nos periódicos, nos almanaques, deixando-nos como que os rastros destas mulheres que partiram em busca de fortuna.

Mme Langlet-Dufresnoy lega, por sua vez, em 1861 uma obra sobre seus quinze anos no Brasil, ou suas excursões na Diamantina, que se lê como um romance. Ela sai da França em 1837, recém-casada, pelo impulso de um marido leitor de « relações de viagens longínquas, [da] história de alguns felizes aventureiros aos quais a fortuna tinha sido propícia ». O casal decide ir até aquelas solidões em busca de tesouros. O périplo brasileiro de Mme Langlet é cheio de dificuldades: após um primeiro infortúnio na província do Rio onde o casal se vê espoliado por um aventureiro francês, ela se lança na feitura de animais empalhados, pássaros e insetos. Encomendas constantes feitas por negociantes e famílias distintas fazem partir os produtos de sua indústria quase que imediatamente para a Europa. Com a ajuda do cônsul da França, o Sr. « Tonnel », o casal é indicado a um rico colono, Sr. Robillard, e se instala em Ubatuba. Eles estabelecem um pequeno comércio e vendem mercadorias e novidades. É então que o « caráter inquieto » de seu esposo elabora novos projetos que iriam conduzi-los à ruína. Seduzido pela ideia das minas e diamantes, o casal se lança juntamente com outros franceses na direção das terras miríficas. Mme Langlet, única mulher da caravana, vê-se então vestida como homem, « encapuzada » e parecendo uma « amazona ». Companheiros tomados pela loucura, caminhos impraticáveis, paradas em fazendas, complicações com as autoridades, pavor diante da natureza selvagem, medo dos índios e das febres que se apoderam de todos os integrantes, e seu marido que morre. Tudo recende a romance de aventuras ou aos relatos dos exploradores do tempo antigo. Viúva em Cuiabá, Mme Langlet retoma suas atividades de modista e empalhadora e conhece o Conde de Castelnau, encarregado de uma missão científica e bastante surpreso de « encontrar uma dama francesa pelas redondezas ». Recusando a oferta de ajuda dos franceses para voltar ao seu país, ela retoma a rota da Diamantina e conduz seu leitor das cordilheiras até a Amazônia. Após o Pará, ela chega à Paraíba onde fica três anos. A revolução de 1849 e a crise comercial arruinam o seu negócio. É na Bahia que ela vai esperar durante meses, atacada por febres, o navio que vai lhe permitir chegar na França em 1852. É um relato curioso que denuncia a miragem das obras enaltecendo as terras longínquas e que ao mesmo tempo exprime a sede de aventuras e de fortuna. Paul le Guay, que redigiu o prefácio, louva a crueza da narração e, a despeito da propensão, diz ele, a fazer o elogio das peregrinações a lugares remotos e a apresentar a emigração sob um aspecto favorável, estas explorações parecem trazer « um bem-estar diminuto desde um ponto de vista da prosperidade individual ». Mas apesar de todas as misérias, os emigrantes e exilados voluntários « voltam ricos de lembranças », e é este o seu mais doce consolo. Além disso, seria de fato necessário acusar estas miríades de emigrantes que « todos os dias, levados pela febre do ganho e da ambição partem a lugares incrivelmente distantes para povoar solidões, desbravar vastas florestas, e fundar colônias comerciais que nosssos bisnetos reinvindicarão um dia, dentro de meio século, talvez, com este orgulho inerente a toda nacionalidade ? ». Sinal de que nos elogios tradicionais do espírito de aventura, ou nas críticas, as ambições nacionais e patrióticas formam a base de um desejo de viajar, europeu.

COLÔNIAS

Efetivamente, a experiência das colônias do outro lado do Atlântico fez verter bastante tinta: ensaios políticos, comerciais, quadros denunciadores ou positivos, sem esquecer os depoimentos e os romances. Em uma notícia sobre a colônia Dona Francisca, extraída da obra France et Brésil (1857), Aubé anuncia que ele não escreve para emigrantes impelidos por dissabores ou pela necessidade de emoções. Sendo as províncias meridionais do Brasil as mais favoráveis à colonização européia, ele esboça um retrato ideal do colono « cultivador e industrial ».

Um opúsculo será publicado em 1842 e assinado por Louise Bachelet. Trata da colônia francesa de Santa Catarina, um falanstério fundado sobre o ideal de Fourier. Esta obra dialoga com a experiência do médico e jornalista Benoît Mure, que divulgou as ideias fourieristas no Brasil. « Une vie du docteur Mure » é pois levada como apêndice a uma das obras daquele ativista, por Sophie Liet (1883). A experiência comunitária foi objeto de numerosos trabalhos e, dentre eles, aqueles sobre esta colônia no sul, o falanstério de Saí (1841-1843), cuja fundação é pintada por Louise Bachelet. É para fugir de uma Europa agonizante e após uma primeira decepção no Paraguai que Louise Bachelet volta o seu pensamento para o lugar propagandeado pelo doutor Mure. Seu opúsculo é um hino àquela terra do futuro, sem esconder contudo as privações e as dificuldades da empreitada. O projeto será um fracasso. Ninguém conhece aquela tal Louise, e alguns afirmam que a obra é de autoria de Mure. Se a suspeita se revela bem fundada, não deixa de ser interessante ver esta obra divulgada sob o nome de uma mulher.

Outras deixaram testemunhos de colônias de inspiração comercial, entre as quais a poeta belga Marie Barbe van Langendonck, que viajou em 1857 para juntar-se aos seus filhos na colônia Montravel. Em 1864, Lina Beck-Bernard vai evocar suas viagens e passagens pelo sul do Brasil enquanto, francesa, ela reside em uma colônia agrícola de emigração suíça, dirigida por seu marido, na Argentina.

MULHERES CÁ E LÁ

Flora Tristan escrevera uma obra nos anos 1830 sobre a necessidade de bem acolher as mulheres estrangeiras. Militante socialista, a franco-peruana escreve uma obra de análise de um fenômeno — a emigração, o deslocamento — que demanda uma política concreta e repousa sobre questões políticas e morais. Tendo passado pela experiência das discriminações e da exclusão, viajando no Peru e na Europa, ela apura o olhar para a dupla condição de estrangeira de uma mulher em viagem, exposta ao mesmo tempo à xenofobia e à misoginia, mas podendo também beneficiar de ajuda em função de sua condição. Este texto pioneiro não deixa também de trabalhar a reflexão sobre fenômenos (deslocamentos, migrações) e sobre as questões das relações internacionais. Além disso, a identidade cultural plural da autora, igualmente central em seus escritos, é um outro elemento fundador da questão das viagens e das mulheres em viagem.

Considerada como fundadora das reivindicações femininas no Brasil, próxima de Augusto Comte, Nísia Floresta (ou Mme de Faria), após a viuvez, instala-se na Europa, mais precisamente em Paris. Sua experiência do exílio e suas viagens pela Europa (Alemanha, Itália, Grécia) ilustram obras escritas em francês. Militante, a brasileira se interessa pela condição feminina, pela educação e a reabilitação moral e intelectual da mulher. Desde a Europa, apostando em suas leituras francesas e sua admiração por romancistas, Nísia Floresta critica os viajantes franceses (exceto Saint-Hilaire e Ferdinand Denis), cujas impressões sobre as mulheres de seu país ela julga tão sumárias quanto ridículas. Seu Brésil, publicado em 1871, pretende apagar os lugares comuns que transbordam em obras ou artigos da Revue des deux Mondes. A obra não deixa de ser filha do seu tempo e se faz reverente da natureza, dos encantos de uma civilização em progresso, de um povo independente e hospitaleiro. E isto no momento em que a campanha pela abolição da escravatura (pouco abordada pela autora) faz alguns estragos e a política imperial brasileira promove a colonização estrangeira como motor de reforma do país.

PEREGRINATIO ACADÊMICA?

Todas as facetas dos escritos de mulheres em viagem, que cruzam outros escritos e objetos, poderiam talvez levar a considerações sobre a viagem de estudos em sentido mais amplo, um tipo de viagem de formação que teve vida longa na Europa entre as elites e a jovem burguesia, mas que diz respeito também a outros tipos de profissionais.
Esta viagem é fundamentalmente uma viagem de educação essencial para a formação do indivíduo, para a forja de seu caráter e de seu espírito. Repousando sobre o conhecimento do passado, ela trabalha contudo na sua crítica e exige atenção ao presente. A educação, aliás, está no centro — como objeto ou como construção do sujeito — de numerosos destes escritos, e nomeadamente dos escritos sobre o Brasil. Pela escrita e pelo exercício da viagem com suas provações e suas alegrias, a mulher se torna visível no espaço público e se descobre também como sujeito.

Porque esta peregrinação esta ligada à escrita, seja ela guardada em privado ou divulgada na cena pública, seja um simples passatempo, testemunho ou já um romance. A carta é fundamentalmente o objeto que o viajante deve cultivar, durante seu percurso ou na volta, para manter o comércio do espírito.

Tais escritos não são desprovidos dos traços próprios a um tempo, portanto, de estereótipos, elemento constitutivo dos textos canônicos. São sobretudo laboratórios de escritas e de estilos, reflexos históricos das trocas, diálogos implícitos e explícitos com as culturas e, portanto, textos que dão margem a largas reflexões.

 

Legenda : Les grandes voyageuses (Nouvelle édition). M. Dronsart. 1909